domingo, 27 de julho de 2008

O Perfume

Seminário - Estruturas Clínicas: Neurose Obsessiva
Por Ângela Vianna Rache
Junho 2008

Dois sentidos
O olfato e o sabor estão firmemente ligados.
Nosso nariz nos leva a apreciar uma especialidade gastronômica antes de colocá-la na boca.
Cheiramos o que vamos comer e quando comemos a percepção gustativa tem uma parte dela no perfume dos alimentos.
O olfato nos leva a reagir a pessoas antes de conhecê-las
Levamos em conta vários aspectos, mas sem dúvida nenhuma o povo diz “isto tem cheiro de”...
Pensando na primeira experiência de satisfação, o cheiro da mãe fica indelevelmente forjado em nossa memória. Mãe tem cheiro de leite. Tem cheiro de satisfação.
O instinto animal é guiado pelo olfato tanto na caça quanto no acasalamento, e essa estrela nos guia, apesar de não nos darmos conta dela.
O olfato é uma maneira muito especial de entrarmos em contato com o mundo. São estímulos diretos para o instinto, sem tradução, não há palavras para descrever uma sensação olfativa, importamos adjetivos.
Em O Perfume, Jean Baptiste Grenoille, nasce no pior lugar de uma cidade que cheira muito mal, numa peixaria.
Ele não conhece a mãe nem é seu desejo. A morte ronda Jean Baptiste desde os primeiros minutos da sua vida, mas ele resiste, e sobrevive. Aos cinco anos ainda não fala, e mais tarde, quando fala já sabe que o mundo das palavras não é capaz de traduzir o que faz de melhor, reconhecer todos os cheiros do mundo.
Jean Baptiste cresce e se refugia num mundo particular, não interage com as pessoas e sobrevive por se tornar quase invisível. Sofre de um isolamento autista, alienado das outras pessoas.
Descobre o prazer maior ao sentir o perfume de uma mulher virgem, e logo ele desaparece sem que ele consiga aprisiona-lo.
Jean Baptiste quer desesperadamente este aroma, quer ser seu dono, e por ele receber o reconhecimento das pessoas. Ele destila gota por gota e quando a multidão delira com seu perfume, ainda falta algo e ele volta para onde nasceu e se deixa devorar pelos mendigos mais sujos de paris. Ainda faltava alguma coisa.

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